Casas Enxaimel
Mitos e Curiosidades
        Esta seção é dedicada a um assunto que tenho verdadeira paixão e dedico boa parte de meu tempo. Eu busco aqui, comprovar e corrigir a história pelo ponto de vista técnico. Agradeço aos que enviam questões e informações. Todo este material será divulgado de forma mais ampla num livro dedicado à técnica enxaimel e com os devidos agradecimentos a todos que por críticas e sugestões o tornam melhor. O livro deve ficar pronto em agosto de 2013 e será publicado/lançado no início de 2014. 

    Aqui estou colocando alguns temas de forma resumida e vou alterando aos poucos, mas se alguém necessitar mais detalhes, fique à vontade para consultar.

    Peço um pouco de paciencia, as vezes temos muito trabalho (principalmente final de ano) e não consigo tempo para escrever aqui.





Origem do Enxaimel

        Alguém de vocês já viu uma foto de casa etrusca de 500 anos antes de cristo? Ou uma casa turca de 8.500 anos atrás? Alguns afirmam que essas são as origens do enxaimel. Eu, assim como muitos alemães, questiono totalmente e deve ser desvinculado como "origem". Primeiro, porque nunca encontraram uma casa etrusca ou Turca intacta. Encontraram palácios, templos e tumbas em pedra e alvenaria. Mas... das casas apenas encontraram o fundamento de pedra. Como não havia indícios de alvenaria, presumiram então que seria de Adobe. (podiam ter simplesmente considerado que as pedras das paredes foram levadas para outro lugar, reutilizadas em outra casa.) No entanto uma recente descoberta acaba com esse Mito: 

http://videos.howstuffworks.com/discovery/40960-archaeology-ancient-etruscan-house-discovered-video.htm

        Encontraram na Italia uma casa etrusca intacta. E suas paredes são de pedra e terra. Inclusive da mesma forma como são construídas as casa ainda hoje em dia na Toscana.     

        Mesmo assim... em algumas instituições, nada muda e seguem ensinando que vem dos etruscos... ("É porque está nos livros."... alguns justificam) 

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      O Enxaimel, como nós o conhecemos, é um momento na história que as casas deixaram de usar estacas fincadas no solo para dar estabilidade à estrutura. As madeiras passaram a usar encaixes para formar estruturas rígidas para somente depois, serem preenchidas e esta se tornou a sua maior característica. O telhado inclusive deve ser colocado antes de preencher os vãos, para que seu peso torne a estrutura mais firme.  Adobe não é Enxaimel. Adobe são vários tijolos empilhados formando gradativamente a estrutura da casa. As colunas de madeiras existentes são apenas apoiados e usados mais como batentes de portas e janelas. A mesma coisa se aplica ao pau a pique.

        Segundo, nas duas regiões ou em suas vizinhanças, nunca evoluíram posteriormente nesta técnica do Adobe. Até nos dias atuais continua sendo usado da mesma forma há 2000 anos. Já na Alemanha, o Enxaimel passou por grandes mudanças e aperfeiçoamentos, influencia dos períodos Gótico, Renascimento, Barroco e Romantico (artes e ofícios) e ainda hoje segue evoluindo em técnica e conceitos.

                             
                                          Casa de Adobe - Espanha  


        A origem comprovada do Enxaimel é na região de Quedlimburg, no centro da atual Alemanha. Um recente método de datação baseado na Dendrocronologia e possibilita estimar a data da madeira existente na edificação com extrema precisão. O erro não chega a 1 ano. Com isso, estão confirmando datas de 700 a 800 anos em várias casas em várias partes da Alemanha e  em especial nesta região de Quedlimburg com as mais antigas. E isto vai confirmando que a maioria das casas mais antigas é do período da Idade média alta, nos séculos 11 e 13. O que não quer dizer que o enxaimel só tenha 800 anos. Boa parte destes prédios antigos, são edificações grandes, de 2 a 4 andares e com significativo conteúdo técnico e cultural. Ou seja... não foram as primeiras na história a serem construídas. Para chegar naquele nível... estimam que possa ter passado 5 a 6 séculos. Mas isso, só poderá ser comprovado quando encontrarem evidências. Isso é uma grande preocupação na Alemanha, de se cuidar de todas as casas, independente da sua "importância" por tamanho ou conteúdo. Uma simples casinha... ou um quarto, poderia ser essa evidencia das primeiras casas e reescrever a história.


Blockhaus


        Outra técnica construtiva que é erroneamente associada ao enxaimel. São casas que possuem as paredes feitas de toras de madeira, falquejadas e deitadas. Afirmam que no início, na abundancia das florestas, estas casas eram as precursoras do Enxaimel. E a medida que a madeira ia se esgotando, passaram a usar o enxaimel. Totalmente errado afirmar, porque primeiro, são técnicas de encaixe bem diferentes. Eram pouquíssimas pessoas que podiam construir casas assim. É necessário muita madeira e mão de obra. Segundo... estas casas são fabricadas até os dias de hoje. E em todas as partes do mundo. Onde há florestas... sempre vai se encontrar cabanas assim.  



   
As primeiras casas.

        Muitos afirmam que os próprios colonos construiram suas casas. É freqüente encontrado em textos e descrições dos tempos antigos afirmando que o colono se instalava provisoriamente numa cabana e aos poucos, e com um enxó, ia fazendo sua casinha enxaimel com a ajuda da família. Na verdade é um pensamento infantil, extremando o romantismo com a fantasia.

        Quanto mais analisarmos este tipo de pensamento constatamos que nem sequer se deram ao trabalho de pensar. Se observar a vida de um colono, ele mal tinha  tempo para sentar. O trabalho no campo já começava às 5:00 da manhã e terminava ao por do sol e todos os familiares tem tarefas diárias. Para se construir uma casa enxaimel não é tão fácil assim. Ferramentas e estudo para isso eram caríssimos e inacessíveis para a maioria dos colonos. Inclusive os carpinteiros que aqui chegaram, se não tivessem trazido suas próprias ferramentas, conhecimento e instrumentos de medição (o sistema métrico ainda não existia) nada poderiam fazer. Inclusive era recomendado nas cartas de Dr. Blumenau, que os colonos deveriam trazer suas ferramentas, porque por aqui não havia nada. O mito da própria família ter construído a casa, se deve ao evento da cumieira. O carpinteiro trazia de carroça toda a estrutura da casa desmontada. Algumas peças maiores, como vigas de asssoalho e sem requisito geométrico podiam até ser cortados no local. E na montagem, que durava em média uma semana, o colono e sua família tinham condições de ajudar. Mesmo porque, para montar algumas peças mais longas, são necessárias várias pessoas para erguer com segurança. Os carpinteiros não tinham mais de 2 ajudantes fixos. E então com a ajuda da família e vizinhos, se justifica a afirmação que foi a própria família que construiu a casa. Até explica o fato de na época as festas de cumieira serem mais comuns e praticadas com tanta enfase. Era um momento especial e de realização em conjunto.

        
É preciso ter em mente, que comprovadamente, todas as casas aqui foram construídas por carpinteiros formados ou seus aprendizes. Todas apresentam evidencias que foram pré-fabricadas. Eram montadas em oficinas ou fábricas próximas de serrarias e depois transportadas e montadas em seu local definitivo.

        Outro dia, calculamos a grosso modo e desconsiderando o desgaste físico, o tempo que uma casa seria construída, com 2 pessoas sem prática, se fosse toda feita manualmente com serra e machado. Levaria 1 ano. Quando no processo normal ... leva 3 meses. Ou seja, já haveria madeiras apodrecendo antes de começar a montar a casa.


Uma casa enxaimel feita com enxó.

        Outra afirmação muito comum e errada. E tenho escutado de pesquisadores e professores inclusive. O enxó é uma ferramenta muito rudimentar, que tem forma de enxada curta e bem afiada.  Só que é de pedreiro. Serve p fazer lascas na madeira para o reboco colar melhor e também para fazer cortes em cunha para caixaria. Não tem precisão alguma e é de manuseio perigoso. Provavelmente algum pesquisador consultou um pedreiro mas não comprovou com ele como se faz.  Se o tivesse feito, perceberia que é impossível executar cortes retos e uniformes com uma ferramenta dessas. Nem adiantar vir com argumentos que na época da colonização eles tinham uma "técnica especial". Se observar na superfície das madeiras de qualquer casa enxaimel, haverá marcas uniformes de serra, indicando que o corte foi mecanico (na época já havia alternativas como locomobil a vapor ou roda d'água). Antes da fundação da cidade, em 1848, o próprio Dr Blumenau já tinha investido na construção de um engenho de serrar.  


 
        Existem alguns casos que as vigas do sótão foram cortadas manualmente na ocasião da montagem, porque são peças pesadas e sem rigor geométrico. Neste caso foram cortadas usando um "falquejador", um tipo de machado para desbastar troncos. Esta sim, é uma ferramenta funcional e autentica de Enxaimel. Com corte amplo, fácil e seguro de usar. E ao contrário do enxó, é possível visualizar o corte sendo feito. (assista à uma demonstração no video do youtube anexo). No Museu Nacional da Imigração em Joinville há um destes no acervo. Em Rio do Sul, no Museu Histórico há o mais rico acervo que eu já vi. São diversos machados especiais para falquejar, serrotes gigantes e instrumentos de carpintaria. Vale a pena conhecer.  

 http://www.youtube.com/watch?v=J4UiNAE5OY0  

 

                      Enxó                                              Machado "Falquejador"       

        Outra hipótese para o erro de interpretação, pode ter sido porque outros dois tipos de carpinteiros usam essa ferramenta. Os carroceros e os tanoeiros.  

        O Machado Falquejador, tem nome original em alemão de Breitbeil (machado amplo) e possue versões destro e canhoto. Tem a forma que lembra antigas armas de guerra. Mas é muito eficiente, apesar de manual.




O enxaimel aqui não tem nada a ver com o alemão.


        
Outro mito que na verdade não tem nada a ver com pesquisa de campo séria. Provavelmente surgiu de alguém que foi fazer turismo na Alemanha, em cidades como Munique, Colonia, Frankfurt etc. Vendo o Enxaimel de lá, "comprovou" que o Enxaimel da Alemanha não nada tem a ver com nosso daqui. Prédios imensos, madeiras grossas e carregadas de ornamentos e riqueza artística. 

        Estava usando referencias erradas de época e local.
Muitos daqueles prédios tem mais de 300 e até 500 anos. Muito mais antigos do que o período da colonização alemã aqui. Há imensas diferenças técnicas e culturais, pois a Alemanha passou por vários conflitos e situações econômicas. Nos momentos de paz havia abundancia de ornamentos e nos períodos de guerra ou crises se aplicava austeridade. No período da colonização então, era de extrema austeridade devido a revolução industrial e a um períodos com 3 guerras seguidas, de 1864 a 1871.

         Se você imaginar a Alemanha num mapa e dividi-la no meio horizontalmente*, a parte de cima (norte) é o berço da nossa maioria de nossa colonização. Ali então era a Prússia e a Alemanha ficava no Sul. Se o pesquisador tivesse ido a esse lado, em estados da Saxônia (são 3), Turíngia e Berlin, teria encontrado casas idênticas as nossas inclusive até com puxados. Se alguém for seguir a Spargelstrasse na Baixa Saxônia é uma estrada que circula o estado (tipo rota enxaimel) encontrará muitas casas como as que vemos aqui em Blumenau. Se alguém ainda não se convenceu, eu sugiro dar uma olhada no link abaixo. São casas construídas no século 19, numa região entre Hannover e Hamburg. Na lista, basta clicar nos artigos em negrito para abrir a pasta com fotos. Excelente site!!  

http://www.denkmal-panorama.de/ergebnis.php?dat=1801%20-%201850

        As fotos abaixo são de diversas cidades da região da Baixa Saxonia. Casas preenchidas com tijolos são encontradas também em toda a Alemanha, porém com alguns detalhes diferentes. Já estas, foram selecionadas de acordo com critérios técnicos de enxaimel identicos aos da região do Vale do Itajaí. São todas do periodo de 1800 a 1900.








E... aqui as casas em Blumenau. As fotos são de Marion Rupp. 





 
        Mas o caso mais absurdo de "exatamente como na Alemanha" eu cito sempre as casas de Ivoti no RS. São chamadas de Riegellose Sparfachwerk. Nome complicado, mas a tradução diz tudo: “enxaimel economico - sem travessão” Eram casas pequenas, que criaram durante uma crise de madeira e leis proibiam a aplicação de alguns elementos estruturais. Ordenavam utilizar o mínimo necessário de madeira. Ou seja... até os travessões (aquela linha do meio) foram excluidos. O absurdo disso, era que os carpinteiros continuaram obedecendo esta norma de economia, no meio de uma abundancia de madeira, a 13.000 km de distancia. Algumas casas desse tipo já foram erroneamente consideradas como um tipo de "enxaimel português", dada sua simplicidade. 


                     
                  Casa na Alemanha                               Casa no RS, em Picada Café

*Ao generalizar qualquer assunto sobre a Alemanha, seja linguístico, costumes, história, arquitetura, culinária etc... deve-se primeiro observar as diferenças que existem entre norte e sul.   
   


"...Aqui, não sei o porquê, os colonos rebocavam a madeira. Alguns arquitetos já me falaram que é devido ao clima e ao cupim e então o reboco protegia a madeira."
  
            Na verdade, as casas tiveram suas madeiras rebocadas para proteger de outro tipo de "parasita" e "clima". Brasileiros, que durante o regime de Getulio Vargas perseguiam e fizeram uma caça à bruxas com os imigrantes. Quem via casas enxaimel, logo denunciava como suspeito reduto de "quinta colunas" para os agentes federais. Estes tinham poderes para revistar as casas, confiscar bens, prender e destruir material "estrangeiro". Vizinhos sentiam "orgulho" e "dever cívico" de denunciar alemães nas redondezas. Como recurso para se protegerem, rebocaram a parte externa da casa.

            Em muitas regiões, prendiam os chefes de família pelo simples fato de não falar portugues. Só os soltavam caso pagassem 10 mil contos de reis. Quem não podia pagar, ficava 2 a 3 anos preso. Carros, máquinas, motores elétricos (tudo o que tivesse sido fabricado na Alemanha) era usurpado por agentes. Livros, cartas, fotos, material escolar, eram queimados exemplarmente. Os colonos ficavam numa miséria tão vergonhosa que nem falavam mais no assunto. Se para alguns, podem imaginar que foi devido ao período de guerra. Em Blumenau se prolongou ainda por vários anos, com o objetivo claro de aumentar os espólios.     

            Existe um interessante documentário a respeito, "Sem Palavras" de Katia Klock. Vale a pena assistir e entender. 

        https://vimeo.com/46396266

       


O Mito da Varanda.

         É comum ler em artigos que as casas aqui são diferentes da Alemanha por terem varandas adaptadas. Argumentam ser um "tropicalismo" do Enxaimel. Devido ao calor, as varandas foram "adaptações" ao nosso clima  e inseridas na casa enxaimel. Lamento informar, mas após um recente descoberta ... temos evidencias que algumas das primeiras casas aqui construídas (Blumenau) já tinham em sua concepção original as varandas. Inclusive são as mesmas que existem em várias casas na Alemanha. No verão, há regiões lá com calor de 38 °C.

         Vamos em breve disponibilizar fotos desta descoberta em Blumenau aqui.         


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BAUOPFER

         Recentemente, durante um restauro encontramos uma moeda entre o fundamento e o baldrame da estrutura do enxaimel. Nossa supresa, foi que ali, nesta simples moeda antiga estava registrado um antigo ritual germanico. Tal assunto despertou atenção da RBS TV que fez uma matéria muito bacana à respeito. O link é o abaixo.

http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/bom-dia-santa-catarina/videos/t/edicoes/v/moeda-do-brasil-imperio-e-encontrada-em-fundacao-de-casa/2179410/


Somente algumas correções:

-A moeda foi cunhada no período de 1823 a 1831. Não se sabe exatamente porque a data e qualquer outra marca está ilegível. Na data do ritual ela ainda deveria ter valor comercial.
-O ritual na verdade é bem mais antigo, alguns consideram da época do Bronze (2000 anos antes de Cristo) mas consideramos de acordo com as dadas dos achados e não teorias.
-O ritual era antes feito com o sacrifício de um animal doméstico ligado à família (gatos, cachorros e cavalos) para que seu espírito continuasse a servir seus donos protegendo a casa. 
-Há relatos (porém não evidências arqueológicas) que também realizavam sacrifícios humanos de crianças inocentes. Duvidoso na minha opinião, mas tão comum na literatura e foclore alemão/eslavo que parece ser coerente.
-A moeda passou a ser usada quando o império romano dominava a Germania e a igreja católica proibia sacrifícios.
 

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ARQUITETURA VERNACULAR …

 

 

      Bom, para aqueles que não sabem existe uma classificação na arquitetura em que todas as edificações são divididas entre Vernacular e Erudita.

 

            Vernacular seria uma forma de construir sem precisão, rigor técnico e com um conhecimento obtido ao longo da vida, unicamente pela experiência prática e transmitido de geração em geração. Seriam casas simples, como: cabanas de palha, ocas de índios, casas de taipa ou pau a pique.

 

            Já a Erudita seria a forma de construir com conhecimento adquirido de forma didática. Em alguns casos extremos, até é considerado arquitetura erudita somente quando a casa foi feita por um arquiteto ou engenheiro.

 

            Se preferem uma versão mais objetiva... seria arquitetura dos escravos e dos mestres. Ou dos pobres e dos ricos... etc. Esse tipo de classificação é de longe a mais vaga que já vi. Não é por menos que haja tanta discussão a respeito disso. A classificação deveria ser bem mais ampla (vide Descartes) talvez cheguem a umas 10 categorias ou até abandonem estes conceitos. Mas voltando ao enxaimel... algumas publicações (recentes até), citam o enxaimel como sendo uma arquitetura vernacular.  

 

 

 


 

Errado... o enxaimel é um produto manufaturado, executado conforme padrões técnicos e por um grupo de profissionais. Basta só olhar uma casa enxaimel de perto para já perceber as numerações e encaixes feitos com precisão milimétrica. O que muitos pesquisadores não observam (ou não aceitam) é que em tempo antigos, uma carpintaria, uma marcenaria, ou qualquer outra oficina de ofício, era uma escola (as únicas escolas que existiam) para jovens a partir de 12 anos, na qual se tinha acesso a livros e os ensinamentos didáticos do mestre. Por isso ele se chama “Mestre”.

 

Quando for o caso de se classificar, o enxaimel é arquitetura erudita, mas pela imprecisão dessa classificação, é preferível que nem se utilize. O enxaimel fica melhor como uma técnica construtiva.  


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